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Notícias

06/01/2026 - In Memoriam

Padre Francisco Cassol (1916-1989)

Padre Francisco Cassol partiu para a Casa do Pai após 72 anos de vida e 42 anos de sacerdócio. Seu sepultamento ocupa o 51º lugar no cemitério da Província. Sua morte soma-se à memória de tantos confrades que nos precederam: na década de 1970 faleceram 11 palotinos; nesta, já são 15. Entre as perdas mais sentidas ao longo da história destacam-se as do Pe. João Iop (1936), Pe. Rafael Iop (1947) e Pe. Caetano Pagliuca (1957), cujas virtudes sacerdotais permaneceram vivas na memória do povo simples por décadas.

Origem familiar e vocação

Francisco Cassol era o quarto filho de uma família de dez irmãos, filho de João Cassol e Catarina Fantinel, naturais de Val Feltrina e Dona Francisca (RS). Sua vocação foi despertada pelo Pe. José Iop, então pároco de Dona Francisca, em um encontro simples e marcante que o conduziu ao Seminário de Vale Vêneto, onde cursou os estudos preliminares (1929–1930).

Em 1931 esteve no Seminário São José, em Santa Maria, e em 1932 iniciou o ginásio no Seminário Rainha dos Apóstolos, em Vale Vêneto, sob a reitoria do Pe. Rafael Iop, junto com outros 12 vocacionados.

Formação e noviciado

Em 1938, iniciou o noviciado em São João do Polêsine, integrando o primeiro grupo de noviços palotinos naquela casa, sob a orientação do Pe. Agostinho Michelotti. A vida formativa unia espiritualidade, trabalho manual e forte vínculo com o povo local, que inclusive colaborou na construção da casa do noviciado.

Os estudos de Filosofia foram realizados entre São Leopoldo e Polêsine (1940–1942), e os de Teologia, em São Leopoldo, a partir de 1943. Esse período foi marcado por intensa fraternidade, espiritualidade palotina e aprofundamento na obra de São Vicente Pallotti.

Ordenação e ministério sacerdotal

Padre Francisco Cassol foi ordenado sacerdote em 24 de novembro de 1946, na Igreja São Pedro, em Arroio Grande, integrando o maior grupo de ordenações palotinas até então. Sua primeira missão foi como coadjutor em Nova Palma (1947–1948), seguida por inúmeras transferências pastorais: Silveira Martins, Vale Vêneto, Cachoeira do Sul, Sobradinho, Nossa Senhora das Dores, Augusto Pestana, São Martinho, entre outras.

Em apenas 13 anos de sacerdócio, viveu nove transferências, sempre com espírito de obediência e disponibilidade. Ele próprio escreveu:“Por graça de Deus, passava de uma casa para outra sem a mínima relutância.”

Serviço, sofrimento e fidelidade

Pe. Francisco exerceu também o ministério como capelão hospitalar, especialmente em Santa Maria e Cachoeira do Sul. Conviveu por muitos anos com fragilidades físicas e psíquicas, incluindo limitações de saúde e, mais tarde, um câncer considerado benigno. Mesmo assim, nunca abandonou o ministério, permanecendo sempre disponível para atender comunidades, irmãs religiosas e confrades.

Desde 1980 passou a residir definitivamente na Casa de Retiros, onde continuou colaborando conforme suas possibilidades. Faleceu em 6 de janeiro de 1989, após uma vida marcada pela simplicidade, pobreza evangélica, disponibilidade e fidelidade silenciosa.

Testemunho final

Padre Francisco Cassol foi um homem desprendido, obediente e pobre, que aceitou com serenidade as constantes mudanças e os sofrimentos da vida. Sua trajetória é um testemunho eloquente de um sacerdócio vivido na entrega cotidiana, sem buscar reconhecimento, mas permanecendo fiel até o fim.